Blogue coletivo, criado por Luís Graça. Objetivo: ajudar os antigos combatentes a reconstituir o "puzzle" da memória da guerra colonial/guerra do ultramar (e da Guiné, em particular). Iniciado em 2004, é a maior rede social na Net, em português, centrada na experiência pessoal de uma guerra. Como camaradas que são, tratam-se por tu, e gostam de dizer: "O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande". Coeditores: C. Vinhal, E. Magalhães Ribeiro, V. Briote, J. Araújo.
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terça-feira, 28 de julho de 2026
Guiné 61/74 - P28221: Reencontro e memórias em Cacheu-Teixeira Pinto (José Macedo, 2.º Ten RN)
1. Mensagem do nosso camarada José Macedo, 2.º Ten da RN, DFE 21 (Cacheu e Bolama, 1973/74), enviada ao nosso blogue através do Formulário de Contacto do Blogger em 16 de Julho de 2026:
Reencontro e memórias em Cacheu-Teixeira Pinto
Em 1973 quando estive aquartelado em Vila Cacheu com o DFE 21, o comando operacional da Zona (na área de Canchungo/Biangue, (no contexto do PAIGC) estava a cargo do Batalhão de Caçadores n.º 3863.
Pouco tempo depois da minha chegada ao DFE 21, acompanhei o meu comandante, Tenente José Maria da Silva Horta, numa deslocação para uma reunião com o comandante do Batalhão 3863. Para minha surpresa — e talvez também para eles — reconheci o Tenente-Coronel António Joaquim Correia, comandante do Batalhão de Caçadores 3863, e também o Major João José Pires, que era o seu segundo comandante e oficial de operações.
A surpresa foi ainda maior porque eu já conhecia o Tenente-Coronel Correia havia cerca de dois anos, em São Vicente, Cabo Verde. Naquele tempo, ele era o Comandante Militar de Cabo Verde e, além disso, era pai de um colega meu do Liceu Gil Eanes.
Quanto ao Major João José Pires, eu também o tinha conhecido antes: ele tinha sido meu professor de Educação Física no mesmo Liceu Gil Eanes.
As voltas que o mundo dá
Foi então que percebi, com toda a força, que o mundo dá mesmo “as voltas”: relações que começam na escola voltam a encontrar-se em contextos completamente diferentes, e memórias pessoais acabam por cruzar-se com realidades históricas e institucionais.
Mantenhas do Zeca Macedo
Tenente FZE-DFE21
Guiné-Bissau, Cacheu-Bolama 73-74
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segunda-feira, 27 de julho de 2026
Guiné 61/74 - P28216: (De) Caras (250): Luís Mário da Silva e Sá (c. 1948-1970), alf mil 'cmd', 26ª CCmds (Brá, 1970/72), cruz de guerra de 2ª classe a título põstumo: peço ao escritor Angelino Santos Silva que nos fale dele e das circunstâncias da sua morte (José Macedo, EUA)
1.1. Data - quarta, 17/06/2026, 21:22
Assunto - Informações sobre um camarada morto em combate
Luis, mantenhas. Estive com um amigo e camarada da Escola Naval, engenheiro construtor naval, que me contou que o irmão mais velho, Luís Mário da Silva e Sá, alferes 'comando', foi morto em combate em 1970, na zona de Cacheu (*).
Um muito obrigado.
PS - Em breve te enviarei um pequeno post sobre a Eugénia Espirito Santos que conheci na Guiné.
No nosso blogue "encontrei" o nome de um membro da 26ª Companhia de Comandos, à qual pertencia o alferes Luis Mário, irmão do meu camarada. Trata-se do escritor Angelino dos Santos Silva. Agradeço-te que, se possível, me des dês as informações para que o possa contactar.
2. Resposta do editor LG:
Zeca: como tu, de resto, já tinhas entretanto dado conta, há uma justa homenagem ao ex-alf mil inf 'cmd' Luís Mário da Silva e Sá no portal UTW - Ultramar TerraWeb. Dos Veteranos da Guerra do Ultramar, na série "Honra e Glória". Entretanto, já te pus em contacto com o Angelino.
Eis alguns dados biográficos Luís Mário Silva e Sá (que deve ter nascido em 1948, tal como o Angelino):
(ii) foi alf mil 'cmd', tendo pertencido, de facto, à 26a. CCmds (1970/72), comandada pelo cap mil inf 'cmd' Alberto Freire de Matos:
(iii) com apenas 6 meses após a sua chegada ao CTIG, faleceu no dia 24 de setembro de 1970, no Hospital Militar 241, em Bissau, em consequência de ferimentos graves adquiridos em combate na mata de Balenguerez, na região do Cacheu:
segunda-feira, 8 de junho de 2026
Guiné 61/74 - P28082: Casos: a verdades sobre... (75): O meu tio paterno Agnelo António Monteiro de Macedo (ilha do Fogo, Cabo Verde, 1925 - Lisboa, 1972), chefe de posto de Catió, preso pela PIDE em 1962/63, detido na Ilha das Galinhas e depois transferido compulsivamente para Moçambique (José Macedo, EUA)
Sabemos alguma coisa sobre esse tio, mas não o suficiente para poder ajudar o sobrinho. Recorremos tambéma a algumas ferramentas de IA (Hemini/ Google, ChatGPT / Open AI)-
- data e local de nascimento: 4 mar 1925, N. Senhora da Conceição, São Filipe, Fogo, Cabo Verde;
- data e local do óbito: 23 mai 1972, Lisboa, com 47 anos de idade;
- era filho de Joaquim Botelho da Costa Monteiro de Macedo (1894-1943) e de Palmira Monteiro (1903-1983);
- o pai era engenheiro electrótecnico, nascido a 16/12/1895, em S. Filipe, casado (1º casamento) com Palmira Monteiro, natural do Fogo; formado pela Universidade de Toulouse, França; foi nomeado em 17 jan 1922 administrador do concelho da Ilha de S. Vicente mas foi exonerado a seu pedido, dois meses depois (tendo sido nomeado para substituí-lo o seu primo Simão José Barbosa); foi nomeado presidente da câmara municipal do Fogo em 3 jul 1928;
- o Agnelo Monteiro era, em 1944, estudante, solteiro, residente na Cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde;
- em 26 fev 1946 entrou para os Correios e Telégrafos de Cabo Verde;
- desportista, foi um dos sócios-fundadores do Boavista Futebol Clube, da cidade da Praia (3 de março de 1948);
- em data que não podemos precisar, seguiu como funcionário administrativo para a Guiné (então portuguesa); dali foi transferido para o nordeste de Moçambique (Nacala, distrito de Nampula).
3. Contexto
Com base nos dados fornecidos e no cruzamento com o contexto histórico-administrativo e militar da época (transição de 1961 para 1963), aqui estão os caminhos e os factos que ajudam a reconstituir e a validar o pedido do Zeca Macedo. São os anos da contestação nacionalista na Guiné, e também os "anos de chumbo", de forte repressão das autoridades locais (PIDE, polícia administrativa, exército).
(i) Catió e a prisão (1961/63):
O relato do Zeca Macedo é historicamente muito verosímil e enquadra-se no xadrez político da Guiné naqueles anos cruciais.
(i) O papel do Chefe de Posto:
(ii) A Colónia Penal da Ilha das Galinhas:
É hoje praticamente impossível encontrar algum militar, ainda vivo, que tenha passado em 1962/63 por Catió e que se lembre de "ter ouvido falar desta história"... o desaparecimento ou a detenção abrupta do Chefe de Posto Agnelo Macedo pela PIDE.
(iv) A Transferência para Moçambique e o fim prematuro de vida
A transferência de funcionários públicos "sob suspeita" ou após cumprirem períodos de detenção e inquirição administrativa era uma prática comum do Ministério do Ultramar para afastar, dos palcos de conflito, os elementos ativos sem necessariamente os demitir de imediato (o que criaria mais contestação local).
Ora, em muitos casos semelhantes da administração colonial, funcionários suspeitos de "simpatias nacionalistas" eram:
- presos preventivamente pela PIDE;
- sujeitos a inquérito;
- transferidos compulsivamente para outro território ultramarino;
- afastados de determinadas funções;
- ou então demitidos da função pública.
A PIDE, apesar de tudo, não terá conseguido "provar" que o Agnelo Macedo era "turra"... O envio para Moçambique (um território imenso e, até 1964, ainda sem frente de guerra ativa) servia como uma espécie de "exílio administrativo". Agnelo Macedo terá continuado a sua carreira na Administração Civil de Moçambique, como chefe de posto em Nacala, no nordeste de Moçambique, durante a década de 1960.
Aliás, Catió era uma zona particularmente sensível. Mais tarde tornar-se-ia um dos principais teatros de operações do sul da Guiné. A partir do início da década de 1960, a polícia política observava atentamente funcionários administrativos, comerciantes e professores suspeitos de contactos com o movimento nacionalista.
(v) Pistas para investigação adicional
Para robustecer esta pesquisa e trazer respostas mais concretas ao Zeca Macedo, os caminhos documentais mais eficazes em Portugal são:
- Arquivo Histórico Ultramarino (AHU): onde repousa o processo individual de Agnelo António Monteiro de Macedo enquanto funcionário do Quadro Administrativo Comum do Ultramar (Guiné e Moçambique); ali constam as nomeações, louvores, licenças e as notas de transferência; seria importante saber, aqui, quem foram os administradores e chefes de posto de Catió entre 1958 e 1964, por exemplo;
- Arquivo da PIDE/DGS (no Arquivo Nacional da Torre do Tombo): a consulta pelo nome completo no índice da PIDE/DGS poderá revelar a existência da ficha de cadastro político, o auto de detenção em Bissau e a ordem de internamento na Ilha das Galinhas entre 1962 e 1963;
- Através do Digitarq 2026 (Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), descobri que o processo deste antigo funcionário público ultramarino está na Torre do Tombo (ANTT): código de referência: PT/TT/DGAP-DIA/001/014275; pasta em papel, não está tratado arquivisticamente; produção: 1963 (?) - 1974 (?).
- Condições de acesso: Não é comunicável. O acesso da documentação é regido pelo disposto no Decreto-Lei n.º 16/93, de 21 de Janeiro, tendo sido considerado que em matéria de comunicabilidade nos termos do ponto n.º 2 do artigo 17.º "não são comunicáveis os documentos que contenham dados pessoais de caráter judicial, policial ou clínico, bem como os que contenham dados pessoais que não sejam públicos, ou de qualquer índole que possa afetar a segurança das pessoas, a sua honra ou a intimidade da sua vida privada e familiar e a sua própria imagem, salvo se os dados pessoais puderem ser expurgados do documento que os contém, sem perigo de fácil identificação, se houver consentimento unânime dos titulares dos interesses legítimos a salvaguardar ou desde que decorridos 50 anos sobre a data da morte da pessoa a que respeitam os documentos ou, não sendo esta data conhecida, decorridos 75 anos sobre a data dos documentos"; e nos termos do ponto n.º 3 do artigo 17.º estabelece que "os dados sensíveis respeitante a pessoas colectivas, como tal definidos por lei, gozam de proteção prevista no número anterior, sendo comunicáveis decorridos 50 anos sobre a data da extinção da pessoa coletiva, caso a lei não determine prazo mais curto".
- Veremos, em poste a seguir, que tendo o Agnelo morrido em 1972, portanto há mais de 50 anos, os familiares podem pedir o acesso ao processo.
sábado, 3 de janeiro de 2026
Guiné 61/74 - P27600: S(C)em Comentários (85): O que é que o PAIGC entendia por "zonas libertadas"? (Zeca Macedo, ten DFE 21, Cacheu e Bolama, 1973/74, a viver nos EUA desde 1977)
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| José Macedo, em 1971, quando frequentava o 1.º ano da Escola Naval (que não completou). Foi 2.º Ten RN, DFE 21 (Cacheu e Bolama, 1973/74); vive nos EUA desde 1977. |
1. Comentário do Zeca Macedo, ao poste P27583 (*):
Camaradas parece que existe muita confusão sofre o que queria o PAIGC dizer que controlava 2/3 do território da Guine Bissau.
Espero que este pequeno texto que estou a submeter, com a ajuda da IA/Gemini, possa esclarecer o significado de "zonas libertadas". (**)
Vila Cacheu, Bolama
Guine Bissau 1973-74
quarta-feira, 31 de dezembro de 2025 às 18:03:00 WET
(**) Último poste da série > 14 de dezembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27527: S(C)em Comentários (84): O povo Balanta / Brassa foi empurrado para os braços do PAIGC pelo comportamento inicial, pouco prudente, das chefias militares portuguesas... Claro, pagou um preço muito alto: foi a "carne para canhão" do Amílcar Cabral (Cherno Baldé, Bissau)
quarta-feira, 19 de novembro de 2025
Guiné 61/74 - P27445: A nossa guerra em números (45): de 1958 a 1974, em 25 cursos (CEORN / CFORN), foram incorporados 1712 cadetes da Reserva Naval, 3/4 dos quais entre 1967 e 1974; cerca de mil oficiais RN foram mobilizados para o ultramar - Parte II
Capa do livro de Manuel Lema Santos, "Anuário da Resreva Naval: 1976-1992" (LIsboa, AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval, 2011, 116 pp.) (Depósito Legal: 323356/11, ISBN 978-989-20-2321-2).
Em 25 de Julho de 2005, com a presença do Chefe do Estado-Maior da Armada, o Presidente da Assembleia Geral da AORN - Associação dos Oficiais da Reserva Naval e várias outras individualidades, foi descerrada na Casa da Balança - Instalações Centrais de Marinha (ICM), junto da "Doca da Caldeira", em Lisboa, uma placa evocativa do cinquentenário da criação da Reserva Naval. Fonte: Blogue "Reserva Naval" (com a devida vénia...)
Foto (e legenda): © Manuel Lema Santos (2022). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]
- "foram 1.712 admitidos pela Briosa entre 1958 e 1975;
- a que se adicionaram mais 1.886 entre 1976 e 1992".
- Fernando Tabanez Ribeiro (n. 1946) (18º CFORN, 1971)(**)
- João [Frederico de Saldanha de ] Carvalho [e ] Meneses (1948-2020) (19º CFORN, 1971; classe Fuzileiros, 2º ten fuz, RN, 21º DEF, ) (***)
- José [ Joaquim Caldeira Marques Monteiro de ] Macedo (n. 1950) (21º CFORN, 1972; classe Fuzieiros (****)
- Manuel Lema [Pires dos ] Santos (1942 - 2025) (8º CEORN, 1965; classe Marinha) (*****)
- 666 se destinaram à classe de Fuzileiros (35,3%);
- 484 à classe da Especialistas (25,7%);
- 414 à classe de Marinha (22,0%);
- 249 à classe de Médicos Navais (13,2%):
- 50 à classe de Técnicos (2,6,%)
- 11 à classe de Engenheiros Construtores Navais (0,6%)
- e 11 à classe de Farmacêuticos Navais (0,6%)
(*) Vd, poste de 11 de fevereiro de 2021 > Guiné 6/74 - P21885: A Nossa Marinha (2): Em louvor dos bravos da Reserva Naval (1961/74) (Luís Graça / Manuel Lema Santos)
segunda-feira, 29 de setembro de 2025
Guiné 61/74 - P27267: PAIGC: quem foi quem ? (15): Leopoldo Alfama (Duke Djassi) (1945-2025), comissário político em 1974, governador da região do Cacheu até 1980; o pai era era o dono da Ponta Alfama, perto de Bula
PAIGC > s/l > s/d > O "comandante Duke Djassi", algures, em conversa com um simples guerrilheiro. De seu nome civil, completo, Leopoldo António Luís Alfama, nascido em 1945, no antigo território da Guiné Portuguesa, de pai cabo-verdianmo, dono da Ponta Alfama, nos arredores de Bula. Foto original do Arquivo Amílcar Cabral / Portal Casa Comum, com a devida vénia
Citação: (1963-1973), "Leopoldo Alfama em conversa com outro combatente do PAIGC", Fundação Mário Soares / DAC - Documentos Amílcar Cabral, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43548 (2025-9-29)
1. Através do nosso camarada José Macedo (Zeca, para os amigos, nascido na Praia, ex-ten fuzileiro especial, DFE nº 21, Cacheu 1972/74, e que vive nos EUA), soubemos da morte do Leopoldo António Luís Alfama, antigo "comandante do PAIGC" (nome de guerra, "Duke Djassi" ou "Duke Djassy").
O falecimento ocorreu em 15 do corrente. Em Lisboa, num hospital do SNS. A notícia também a li no Facebook. Mas não chegou aos jornais de referência de Cabo Verde (Expresso das Ilhas, A Nação, A Semana, este último mais próximo do PAICV, agora na oposição)...
Duke Djassi não foi propriamente um dirigente do PAIGC de 1ª linha (*). Embora o elogio fúnebre que passou nas redes sociais, da parte de militantes ou simpatizantes do PAIGC, vai no sentido de destacar o seu papel na guerrilha (como "comandante" e, depois da independência, cvomo governador da região do Cacheu, cargo que exerceu até 1980, "continuando sempre fiel aos ideais de justiça, liberdade e unidade nacional" (Página do facebook de Henrique Monteiro, de 15 de setembro de 2025).
2. No portal de Barros Brito (Genealogia dos cabo-verdianos com ligações de parentesco a Jorge e Garda Brito...), ficamos a saber algo mais sobre o Leopoldo Alfama:
(i) nasceu em 23 de setembro de 1945, na antiga Guiné Portuguesa, muito provavelmente na Ponta Alfama, perto de Bula, e que era propriedade do pai;
(ii) o pai era Luís António Alfama (1886-1947), natural da cidade da Praia, e falecido em Bissau, aos 60 anos; a mãe, Maria Irene da Costa, nascida na Guiné;
(iii) o Luís Alfama instalou-se na região de Bula; foi ponteiro, na "Ponta Alfama (que ainda hoje pertence à família) plantava, entre outras frutas, abecaxis".
Este pormenor biográfico é interessante: como outros "históricos" do PAIGC (onde passou a militar "muito jovem"), o Leopoldo era filho de pai cabo-verdiano, ponteiro, cidadão português; pertencia, portanto, a uma pequena burguesia, neste caso rural. com acesso à catequese e à escola. Na região de Bula havia inúmeras pontas: identifiquei mais de uma dúzia, ao longo do curso dos rios Dingal, Bula, Binar, afluentes do rio Mansoa (vd,. infografia, a seguir):

Guiné > Região do Cacheu > Sector de Bula > Carta de Bula (1953) / Escala: 1/50 mil > Posição relativa de Bula, Ponta Alfama e mais de um dúzia de outras pontas, bem como os rios Dingal, Bula, Binar e Mansoa.
Como os demais comandantes e comissários políticos do PAIGC, o "Duke Djassi" gostava de impressionar o chefe, em Conacri, a 700 km de distância, com notícias deliberadamente fabricadas como esta... que depois da "Maria Turra" transmitia na "Rádio Libertação"... Acontece que em 27 de julho de 1971 não morreu nenhum militar português (ou guineense, milícia ou do recrutamento local), vítima de mina A/C ou AP/ ou emboscada IN ou por outro motivo.
Citação:
(1971), "Comunicado - Campada", Fundação Mário Soares / DAC - Documentos Amílcar Cabral, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_40630 (2025-9-29)
(*) Último poste da série > 23 de julho de 2020 > Guiné 61/74 - P21193: PAIGC: quem foi quem ? (14): Julião Lopes, ex-craque da seleção nacional de futebol, comandante da base central do Morés, comandante da Marinha de Guerra até ao golpe de Estado do 'Nino' Vieira, em 14 de novembro de 1980
domingo, 21 de setembro de 2025
Guiné 61/74 - P27236: Parabéns a você (2418): José Macedo, 2.º Tenente Fuzileiro Esp (RN), DFE 21 (Cacheu e Bolama, 1973/74)
Nota do editor
Último post da série de 15 de setembro de 2025 > Guiné 61/74 - P27220: Parabéns a você (2417): Manuel J. Ribeiro Agostinho, ex-Soldado Radiotelegrafista da CCS / QG / CTIG (Bissau, 1968/70)
sábado, 9 de agosto de 2025
Guiné 61/74 - P27104: In Memoriam (558): Dúnia Ivone Ramos Gonçalves (1976-2025), filha do nosso camarada Carlos Filipe Gonçalves, ex-fur mil amanuense, CefInt / QG / CTIG, Bissau, 1973/74): o funeral é amanhã, às16h00, no Cemitério da Várzea, Praia, Cabo Verde
Comunicado de Falecimento:
É com profundo pesar e imensa dor que a família comunica o falecimento de Dunia Gonçalves (@Nasha Gonçalves), vítima de doença prolongada, ocorrido hoje na Cidade da Praia.
Deixa o seu filho Rafael Lopes, os pais Ana Gonçalves e Carlos Filipe Gonçalves, as irmãs Monika e Ana Carla, sobrinhos, cunhado e demais familiares, que com grande tristeza partilham esta notícia.
O velório realiza-se na segunda-feira, 11 de agosto, no salão da Igreja do Nazareno, no Platô, Praia.
O funeral terá lugar no mesmo dia, pelas 16h00, no Cemitério da Várzea, com partida do salão da Igreja do Nazareno pelas 15h00.
A família agradece desde já todas as manifestações de apoio e solidariedade neste momento de luto.
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A Dúnia é a primeira, da esquerda. Foto: Ana Gonçalves (2025). (Com a devida vénia...) |
(....) Éramos 3 ... sempre juntas que até misturávamos os nossos nomes, vou ser sempre a tua MoAna, como dizias quando querias me chamar mas chamavas primeiro a Monika ...
Já não vou ouvir a tua voz na rádio nem nas publicidades.
Não vais ver o Francisco (txukin) e a Catarina (txorona) a crescerem.
Eu sei que lutaste ... agora descansa ... vou ter muitas muitas saudades. (...)
3. Nota do editor LG:
Carlos Filipe Gonçalves, nosso antigo camarada na Guiné (foi fur mil amanuense, CefInt/QG/CTIG, Bissau, 1973/74), é uma figura pública no seu país, Cabo Verde: radialista, jornalista, escritor, etnomusicólogo...
"E para completar, já escrevi o que vi e vivi na Guiné de 1973 a 1975, porque memórias de cabo-verdiano de ambos os lados, na Guiné, antes e depois das Independências, também precisam ser conhecidas". (..:)
Guiné 61/74 - P27102: Consultório Militar do José Martins (87): O Cartão de Antigo Combatente: resposta a um pedido do Zeca Macedo (EUA, Mass, Cambridge)

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Monte Real, 2017 |
Data - segunda, 14/07, 18:54
Assunto - Cartão de Antigo Combatente
Camarada Luis:
Que estejas com "Corpu Riju." Já tentei várias vezes obter o meu cartão de antigo cmbatente, sem o conseguir. Lembro-me que há uns anos um link tinha sido publicado no blog. Segui as intruções, preenchi o formulário e enviei-o. Até hoje, nada.
Será que me poderás ajudar ? Penso ir a Portugal em setembro e gostaria de, caso necessário, ir ao hospital e usar o o seguro.
Obrigado
Um abraço amigo e mantenha a tua esposa.
Zeca
2. Resposta do Zé Martins para quem reencaminhámos o assunto:
Data - 27/07/2025, 20:00
Caro Zeca Macedo:
O cartão de "Antigo Combatente" foi distribuído a todos os reformados que recebem pensão de velhice de qualquer sistema de Segurança Social.
Não sei se te encontras na situação descrita, mas também não sei como funciona para combatentes que não recebem qualquer pensão do Estado Português.
Talvez possas contactar o Núcleo de "Nova Inglaterra" (USA) , sito em:
6 General Sherman Street Taunton, MA - 02780 USA, com o mail evdefaria@yahoo.com
que devem estar ao corrente deste assunto.
Telefone > +351 213 038 566
Esperando ter ajudado, segue igualmente um grande abraço.
Último poste da série > 13 de março de 2025 > Guiné 61/74 - P26581: Consultório Militar do José Martins (86): Direitos do Antigo Combatente após o seu falecimento e dos cônjuges sobrevivos
quarta-feira, 11 de junho de 2025
Guiné 61/74 - P26909: Os 50 anos da independência de Cabo Verde (1): a "nova força africana" e a falta de formação em liderança e sensibilidade sociocultural de oficais e sargentos metropolitanos (José Macedo, ex-2º ten fuzileiro especial RN, DFE 21, Cacheu e Bolama, 1973/74)
Assunto - Problemas de formação em lideranca e conhecimento das culturas da Guine Bissau no nosso tempo
A falta de instrução e treino em liderança e em consciência cultural para oficiais e sargentos no exército português durante a Guerra Colonial foi uma falha significativa, e vários fatores contribuíram para isso:
- Mentalidade colonial rígida: o regime do Estado Novo via as colónias como extensões de Portugal, não como sociedades distintas; isso levou a uma abordagem militar focada na dominação e controle, em vez de integração e compreensão cultural;
- Doutrina militar tradicional: na instrução e treino dos oficiais dava-se prioridade a táticas de combate e à disciplina, sem ênfase na liderança adaptativa ou na gestão de tropas de composição multicultural;
- Resistência à descolonização: Portugal lutava contra movimentos de independência e não queria fortalecer lideranças locais que pudessem desafiar a sua autoridade; isso resultou na falta de investimento em instrução e treino para comandar tropas africanas de maneira eficaz;
- Operações secretas e foco na guerra irregular: missões como a Operação Mar Verde, que envolveu a invasão de Conacri para tentar capturar Amílcar Cabral e desestabilizar o governo de Sékou Touré, mostravam que Portugal estava mais preocupado com ações militares diretas do que com a formação de líderes capazes de lidar com a complexidade cultural da guerra;
- Desconfiança e vigilância política: o regime do Estado Novo temia que oficiais treinados em liderança e cultura pudessem simpatizar com os movimentos de libertação; a presença da PIDE/DGS dentro das forças armadas reforçava um ambiente de repressão e controle, dificultando qualquer tentativa de desenvolver uma abordagem mais humanizada.
Em 2017, eu e o Zeca Macedo voltámos, muito brevemente, ao passado. Com a dupla nacionalidade, cabo-verdiana e americana, ele conhece e é amigo de diversos combatentes e dirigentes do PAIGC contra os quais combateu no TO da Guiné. Seria o caso, por exemplo, do antigo presidente da República de Cabo Verde, Pedro Pires. Mas não gosta de falar desse passado fraturante, o que se entende...
(*) Vd. poste de 13 de fevereiro de 2008 > Guiné 63/74 - P2532: Tabanca Grande (56): José J. Macedo, ex-2º tenente fuzileiro especial, natural de Cabo Verde, imigrante nos EUA
quinta-feira, 23 de janeiro de 2025
Guiné 61/74 - P26417: In Memoriam (531): António Medina (Santo Antão, Cabo Verde, 1939 - Medford, Massachusetts, EUA, 2025), ex-fur mil at inf, OE, CART 527 (Teixeira Pinto, Bachile, Calequisse, Cacheu, Pelundo, Jolmete e Caió 1963/65), nosso grão-tabanquerio desde 2014
(...) É com profunda tristeza que anunciamos o falecimento do nosso querido pai e amado esposo de Lilica, Antonio C. Medina. Ele partiu em paz, cercado pelo imenso amor de sua esposa e filhos, e sentiremos a sua falta profundamente.
Papá, descansa tranquilo sabendo que estás deixando a Mamã em boas mãos. Deste-nos tudo necessário para cuidar dela e uns dos outros. Tambem deste-nos a força para enfrentar este momento difícil, e seremos fortes por ti. Até nos encontrarmos novamente, descansa na graça de Deus.
Sempre estaremos unidos, como sempre desejaste. Não haverá um dia em que não sentiremos a tua ausência mas carregaremos o teu amor, os teus conselhos, tudo que nos ensinastes eternamente nos nossos corações. Com muito amor, carinho e saudade dos teus trệs e da tua querida Lilica. (...)
2. Sobre o nosso camarada da diáspora lusófona, António C. Medina:
(i) de seu nome completo, António Cândido da Silva Medina, nasceu em 26 de setembro de 1939, na ilha de Santo Antão, Cabo Verde;
(ii) estudou no liceu Gil Eanes (Mindelo, São Vicente) (o único liceu então existente nas ilhas, criado pela República em 1917. como Liceu Nacional de Cabo Verde, 1917-1926, depois Liceu Central Infante Dom Henrique, 1926-1937, e, por fim, eaté à independência, Liceu Gil Eanes, 1937-1975);
(iv) a CART 527 estava adida ao BCAÇ 507 (Bula, 1963/65), que era comandado pelo ten cor inf Hélio Felgas;
(v) depois da passar à disponibilidade, viveu em Bissau, e entre 1967 e 1974, até à independência, sendo funcionário do BNU (Banco Nacional Ultramarino);
(vii) regressou a Portugal, onde ainda trabalhou no BNU, em Lisboa;
(ix) tinha página no Facebook (onde já não escrevia desde 17/5/2022);
Gostei da vossa composição do Blogue e é louvável a vossa paciência e eficiência em nos assistir para que o nosso sacrificio fique para a eternidade." (...) (***)
(*) Último poste da série > 26 de dezembro de 2024 > Guiné 61/74 - P26313: In Memoriam (530): Florimundo Rocha (C. 1950 - 2024), ex-Soldado Condutor Auto Rodas da CCAÇ 3546 / BCAÇ 3883 (Piche, Ponte Caium e Camajabá, 1972/74)
(**) Vd. poste de 4 de outubro de 2023 > Guiné 61/74 - P24725: O segredo de... (39): António Medina: O surpreendente reencontro, em Bissau, em junho de 1974, com o meu primo Agnelo Medina Dantas Pereira, comandante do PAIGC
(***) Vd. poste de 16 de fevereiro de 2014 > Guiné 63/74 - P12727: O Mundo é Pequeno e a nossa Tabanca... é Grande (81): António Medina, natural da ilha de Santo Antão, Cabo Verde, foi fur mil da CART 527 (Teixeira Pinto, 1963/65) e vive hoje nos EUA, onde descobriu o nosso blogue



























